quarta-feira, 31 de março de 2010
A bola, por Armando Nogueira
* O poeta partiu e deixou menos bela e humana a narrativa sobre o mundo da bola. Leia mais sobre Armando Nogueira em http://zeguto.blogspot.com
quarta-feira, 24 de março de 2010
Para, Santo

Após dizer que vai encerrar sua carreira (por não suportar mais o nível de seus companheiros e a politicagem de seus dirigentes), segunda-feira Marcos meteu a boca no desempenho de seus colegas de clube num simples treinamento, cobrando especialmente uma postura de mais empenho de Diego Souza. Por isso peço, Marcão: pare mesmo, abandone o futebol porque seu clube e este esporte não merecem um goleiro e homem como você. E alguns de seus companheiros não merecem vê-lo perder a cabeça porque eles fazem do seu manto sagrado verde um mero emprego. Por isso que alguns de seus desafetos não dão o sangue como você deseja: porque não perderão nem uma noite de sono pelos seguidos fracassos alviverdes. Isso acontece especialmente com aquele que se considera craque, sem nunca ter sido. Falo do jogador que tem um chute forte, alguma inteligência e só. Falo do jogador que sumiu na reta final de 2009, o que custou o título brasileiro e a vaga na Libertadores. Falo do cara que você olha e não suporta, por tanta marra para tão pouco futebol.
Dizem, seus críticos, que você está mal tecnicamente. Discordo. Quem está mal demais, há anos, é o seu time, que não conta com jogadores da sua qualidade e dedicação.
Quem está mal, da cabeça e do coração, são os tolos que acham que o Palmeiras ficará melhor sem o seu talento e abnegação.
Quando você parar, caro Santo, a escuridão será ainda maior com a pobreza dos dirigentes palmeirenses e a falta de compromisso de muitos jogadores que passaram pela camisa verde nos últimos anos.
Por isso, para, Marcão, chega de ser o martelo e a vidraça de um time e um clube que há muito tempo não é mais o que foi nos anos 90.
O Palmeiras não merece o goleiro e mito que colocou o clube no mapa do futebol mundial .
PS - Nos últimos anos e anos há apenas mais um jogador com a entrega e paixão pelo Palmeiras que Marcos exige: Pierre. Quando os dirigentes alviverdes o venderem, junto da saída iminente do Santo, a grande e longa noite alviverde cairá de vez na treva mais sinistra.
sexta-feira, 12 de março de 2010
A goleira solidária

Em meio a tantos jogadores, no futebol dos homens, que batem sem dó e reclamam da marcação de uma falta, que tentam iludir o árbitro cavando faltas ou que não demonstram o mínimo respeito pelos adversários, eis que uma menina dos EUA dá essa lição maravilhosa. O seu país vencia o Haiti por 8 x 0 no Campeonato Sub-17 da Concacaf, e quando os EUA fizeram o nono gol, a goleira haitiana começou a chorar copiosamente. Foi então que a goleira Bryane Heaberlin atravessou todo o campo e foi consolar a goleira adversária, no que foi seguida, logo depois, por todas as suas companheiras. - Eu a vi chorando e isso foi muito duro para mim. Ela também é uma goleira e nós temos esse laço. Além disso, eu sei que ela perdeu pessoas próximas. Por isso dei um grande abraço e disse que ela foi muito bem, afinal, ela veio participar do torneio apesar de tudo que aconteceu. Tenho um respeito enorme por ela - revelou Bryane no site da Federação Americana de Futebol.
(Fonte: Site do Globo Esporte)
sexta-feira, 5 de março de 2010
Notas Reveladoras
Nota publicada ontem no Lance com o título de “Mundo Real”:
“Depois de acertar o salário de R$ 1 milhão, Robinho exigiu receber 30 camisas do Santos por mês. Na hora de assinar o contrato, o presidente Luis Álvaro Ribeiro lhe perguntou o porquê da exigência, ínfima diante do valor do salário. Robinho levantou a cabeça, olhou para Ribeiro e disse: “Bem-vindo ao mundo do futebol”. E tornou a rubricar as páginas do contrato.
Nota publicada hoje:
“Depois de acertar o salário de R$ 1 milhão, Robinho exigiu receber 30 camisas do Santos por mês. Na hora de assinar o contrato, o presidente Luis Álvaro Ribeiro lhe perguntou o porquê da exigência, ínfima diante do valor do salário. Robinho levantou a cabeça, olhou para Ribeiro e disse: “Bem-vindo ao mundo do futebol”. E tornou a rubricar as páginas do contrato.
Nota publicada hoje:
quarta-feira, 3 de março de 2010
Brasil 86
Josimar. Copa 86. O famoso pombo sem asa, e reparem na beleza do toque de bola antes da bomba. Os homens de Telê perdiam Copas, mas encantavam o mundo.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Arte e Deboche
O jovem aspirante a craque* Neymar deu mais um passo para se firmar no futebol brasileiro. Além dos dribles incríveis (num repertório mais variado que o de Robinho) pra frente, em direção ao gol, fez golaço após domínio de bola de costas e giro supersônico e ainda serviu com rara frieza e visão de jogo para a idade no gol de André. O moleque pode se tornar monstro do futebol mas para isso terá que tomar vários puxões de orelha, porque se seu futebol evolui a cada partida, a máscara e coisas piores parecem crescer na mesma medida. Por duas vezes ontem, após o juiz apitar invalidando os lances, ele driblou os corinthianos, dando até chapéu em Chicão. Não me venham as Polianas ou puxa-sacos falarem em simples molecagem de artista: foi deboche, tiração de sarro puro. Neymar é um talento fora de série mas precisa ser bem orientado para não repetir os piores gestos e atitudes de outros antigos quase craques* da Vila, Diego e Robinho.
Ronaldo está certíssimo com sua bronca contra as “gracinhas” dos santistas ontem (não foi só Neymar quem partiu pra humilhação ontem). Porque Ronaldo, e também Romário, Rivaldo e outros craques consagrados sempre destruíram sem tripudiar em cima dos adversários.
Não me venham falar em arte quando a molecagem é só sacanagem.
* Para ser craque de verdade tem que arrebentar em Libertadores, na Champions League ou Copa do Mundo. Não basta ter no currículo apenas títulos regionais ou brasileiros da metade dos anos 90 pra cá, quando os maiores jogadores brasileiros já estavam em massa na Europa.
Iluminado?
4 gols num jogo de estreia, e tendo jogado só o 2º tempo? Certo que o adversário era o sofrível Monte Azul, mas ou Fernandinho tem muita sorte ou é craque pronto para brilhar e resolver boa parte dos problemas do São Paulo. Veremos. Analisar atuação contra o pobre time da terra da laranja é perigoso. Vamos ver o que ele apronta na próxima pedreira, o jogo contra os paraguaios, fora, pela Liberta.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Time de Mano joga bola
Bola no chão, tabelas rápidas, passes arriscados bem encaixados para jogadores na cara do gol. Jogadores que sabem o que fazer na hora de definir. Mano Menezes é gaúcho. Seus times têm a garra e a alma dos Pampas mas, sobretudo, jogam bola. Com ela no chão. Basta lembrar que o Corinthians faz poucos gols de cabeça. Porque prefere fazer corrê-la no gramado. Porque tem jogadores para isso. A difícil estreia na Libertadores provou isso de novo nas duas belíssimas jogadas que resultaram nos gols do volante Elias finalizando como centroavante implacável. E há ainda Ronaldo, o ainda Fenômeno: provocado o jogo todo como "gordito" e coisa pior, deu rasteira (Libertadores pede impor respeito na força também) e depois, na mesma jogada pedalou, enfiou no meio das pernas e quase fez gol de gênio.
O Corinthians tem alma e futebol pra vencer a Liberta. Só não vê isso o torcedor de outros clubes, cego pelo fanatismo.
PS - Quantos brasileiros existem na Seleção de Dunga com o poder de decidir o jogo com um só lampejo, como ainda faz Ronaldo? Nenhum.
Falcão

(Nesses tempos de tantos volantes brucutus dominando o meio-campo dos clubes e seleções do mundo todo, matando a arte e criação, este nome é essencial).
Ele jogava como um príncipe-general em um campo de batalha, elegante guerreiro a impulsionar toda uma equipe ou a Seleção Brasileira. Na verdade, era um Rei (sábios os romanos, que lhe deram o apelido e o coroaram), a cabeça sempre erguida sem jamais olhar para sua súdita apaixonada, a bola, sempre obediente e fiel aos seus pés.
A bola que tratava com o amor de plebeu, que conservava no peito da origem de menino simples que um dia foi na sua Santa Catarina natal e Porto Alegre dos primeiros passos como profissional do Inter.
A bola que tratava com afeto de criança e requinte de artista. Por isso podia fazer aquarelas com ela em passes e lançamentos precisos, tabelas cerebrais e maravilhosos chutes de longe que eram a síntese de seu futebol de beleza e força.
Por isso foi o maior camisa 5 da história do futebol brasileiro.
Por isso o gol de Falcão que segue abaixo (o vídeo mostra os melhores momentos de Brasil e Itália, na Copa de 82) é a prova definitiva de que um volante ideal deve saber marcar, ter garra, armar e chutar forte e colocado, pois é sempre o homem que vem de trás. E ainda deve ser inteligente, como outro volante que aparece nessa jogada era, Cerezzo, reparem como ele atrai a marcação adversária sem a bola para deixar livre sem obstáculos para este chute sensacional. Sim, perdemos esse jogo e aquela Copa, de 82, mas para muitos, salvamos o futebol.
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